Quando Mariana (nome fictício para proteger a identidade da fonte) entrou na academia, queria definir o abdômen e manter o braço tonificado para dar tchau sem sustos. Com o tempo, ela também estabeleceu uma outra meta: tornear as coxas, ter corpo de panicat. Amigas da academia sugeriram um ciclo com esteroides para alcançar a meta. Em poucos meses, ela já era uma mulher rã, como são conhecidas as mulheres que possuem coxas hipertorneadas, lembrando a estética do anfíbio. Em contrapartida, estava com a voz rouca e grossa, pescoço maior e com um incômodo: o crescimento dos lábios vaginais, que começou a gerar um constrangimento e infecções urinárias recorrentes. Casos como o de Mariana são cada vez mais comuns e chamam atenção para uma prática perigosa que cresce entre as mulheres brasileiras: a busca do corpo perfeito por meio do uso de esteroides.
Hormônios
De acordo com a endocrinologista Cristiane Ferrari, é fundamental lembrar que todos esses produtos são derivados de hormônios andrógenos e que, em excesso, provocam mudanças irreversíveis no corpo. “No caso das mulheres, além de câncer no fígado, esse uso sem a prescrição correta levará ao crescimento de pelos no rosto (hirsutismo), voz grossa, aumento do clitóris e dos lábios vaginais, calvice, entre outros problemas”, alerta a médica, destacando que a autoaplicação pode gerar necrose e o apodrecimento da área. O uso de substâncias como o growth hormone (GH) também promove o crescimento das extremidades como nariz e orelha.