
Segundo a integrante do MP-BA, sugestões levadas à mesa pela própria equipe do artista foram aceitas pelo órgão de controle, mas o próprio Flávio José se mostrou irredutível.
O cantor e sanfoneiro paraibano Flávio José tomou uma decisão drástica para o período junino e deixou o estado da Bahia completamente de fora da sua programação de apresentações. Ao divulgar oficialmente o cronograma para o mês de junho, o veterano do forró confirmou a realização de apenas 17 shows, todos agendados para municípios de outros estados do Nordeste. O anúncio oficializou o cancelamento de sua participação em cerca de 15 cidades baianas onde o artista já vinha sendo anunciado ou planejava se apresentar, a exemplo dos municípios de Senhor do Bonfim e Dias D’Ávila.
A retração do artista foi motivada pelo descontentamento com uma recomendação técnica emitida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que solicitou a redução do valor do cachê cobrado pelo forrozeiro. Para as festividades, Flávio José havia estipulado um preço de R$ 350 mil por apresentação, montante que representava um acréscimo de R$ 100 mil em relação ao cobrado no ano anterior. O cantor manifestou publicamente sua indignação com a medida de controle financeiro, classificando o corte como um desrespeito sem tamanho com a sua trajetória, especialmente pelo fato de a intervenção ocorrer às vésperas da maior festa cultural nordestina, enquanto atrações de gêneros musicais alheios ao forró tradicional continuam a receber investimentos milionários do erário municipal e estadual.
Em contraponto à queixa do músico, a promotora de Justiça Rita Tourinho revelou que os órgãos de controle tentaram construir canais de diálogo e estabelecer uma conversação com os representantes legais do cantor. Segundo a integrante do MP-BA, sugestões levadas à mesa pela própria equipe do artista foram aceitas pelo órgão de controle, mas o próprio Flávio José se mostrou irredutível a qualquer tipo de acordo de redução ou mediação, optando por cancelar as apresentações de forma unilateral. A promotora enfatizou ainda que o processo de revisão de valores contratuais seguiu critérios técnicos rigorosos e foi aplicado a diversos outros artistas que se apresentarão no período junino, não se tratando de uma perseguição ou ação exclusiva contra o forrozeiro paraibano, que no ano passado havia realizado 13 shows em solo baiano.




































