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Juraci morreu sem saber por que era um sem-terra vítima de quem quer terra – por Domingos Matos*

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Por Domingos Matos-Editor d’o O Trombone-No dia 16 de agosto de 2013, no meio de uma multidão ensandecida, em um dos primeiros protestos que fecharam a BR-101 por causa do conflito indígena em Una, Ilhéus e Buerarema, entrevistei o agricultor familiar Juraci José dos Santos Santana, que identifiquei na matéria como J.J.S.S. Ele não chegou a pedir o anonimato, como outros que também entrevistei naquele dia, mas fiz questão de não divulgar seu nome, porque ouvi dele que era um homem jurado de morte. Era o mínimo que poderia fazer para sua segurança, além de relatar seu drama. Juraci e outros colegas agricultores, oriundos do movimento de trabalhadores que lutaram para ter um pedaço de terra para produzir, se diziam confusos. Eles, beneficiários de uma política pública do governo federal, através da reforma agrária, eram vítimas de pessoas que diziam lutar pela terra, estimulados por um órgão federal, a Funai. Eram os sem-terra como vítimas dos famintos por terra. Mas não foi a mim, apenas, que Juraci relatou seu drama. Ele falou de seu temor de ser morto com, talvez, o homem que poderia efetivamente dar uma solução para o caso, ainda que fosse apenas uma pacificação provisória, enquanto não se decidisse o destino desse conflito. Esse homem foi o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que hoje é responsabilizado pelo deputado Geraldo Simões como o agente público que permitiu o aumento da violência na região de conflito. Juraci foi assassinado na madrugada de ontem em uma emboscada próximo à sua casa. A polícia civil está investigando o caso, que a depender do desfecho e da habilidade dos envolvidos pode ajudar a solucionar o conflito. Mas o fato é que, no mesmo dia, quase simultaneamente, o ministro Eduardo Cardozo recebeu nos peitos dois cadáveres, o do cinegrafista Santiago Andrade, no Rio de Janeiro, e o do produtor rural Juraci Santana. Espera-se uma solução dele. Ou da presidenta Dilma, que tem o poder de demiti-lo. E bem que a Funai poderia se pronunciar: por que Juraci era um sem-terra vítima de quem quer – e pra isso, toma à força – terra?

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