
Mais uma matéria para ler a dois e com toda a atenção. Embora sejam os homens, os grandes desconhecedores dessa região mágica e única da anatomia feminina, muitas mulheres também não estão assim tão bem familiarizadas como deveriam. Certa vez, uma aluna, em um dos meus cursos de ginástica íntima, desabafou: “- Gostaria de não ter clitóris, assim poderia apreciar muito melhor o verdadeiro sexo, o vaginal.” Nada mais absurdo. Tudo bem que em algumas publicações de Freud ele se referia ao clitóris como o ponto de prazer não maduro das mulheres e que a verdadeira maturidade estava no orgasmo produzido pela penetração. A crença de que no sexo feminino há um orgasmo vaginal e um outro orgasmo – que acontece na região do clitóris – foi apresentada pela primeira vez por Sigmund Freud. Na época, a ideia foi criticada por feministas, como Ellen Ross e Rayna Rapp que afirmavam ser uma “clara percepção masculina do corpo feminino”. Em 1905, Freud argumentou que o orgasmo clitoriano era uma espécie de fenômeno que ocorria em adolescentes, e após atingir a puberdade a resposta sexual adequada das mulheres maduras mudava para o orgasmo vaginal. Freud nunca apresentou nenhuma prova sobre essas suas observações. Mas, provavelmente, essa teoria serviu para intensificar ainda mais o sentimento de inadequação de muitas mulheres quando não conseguiam atingir o orgasmo através da relação vaginal, envolvendo pouca ou nenhuma estimulação clitoriana. Fato que ocorre até hoje com inúmeras mulheres que, assim como a minha aluna, se sentem frustradas por não alcançarem o tão sonhado orgasmo “vaginal”.