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Por que o gato prefere a caixa de papelão e não a cama cara que você comprou?

O padrão é evidente: em espaços pequenos, os felinos se sentem muito mais seguros e protegidos do que em áreas amplas e abertas.

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Uma cama de bordas baixas garante conforto, mas não oferece a mesma sensação de proteção que uma caixa de papelão entrega de graça.

Quem compra uma cama acolchoada para o gato e vê o pet escolher a caixa em que ela veio embalada pode até estranhar, mas essa atitude não é uma exceção. A cena se repete em casas do mundo todo e já rendeu até estudo em universidades da Europa e dos Estados Unidos. Segurança, calor, controle do ambiente e instinto de caça aparecem como as explicações mais consistentes, e a preferência também pode servir de termômetro para o bem-estar do animal.

O corpo do gato pede espaço fechado

O gato doméstico ocupa uma posição incomum na cadeia alimentar: caça pequenos animais, mas também pode virar presa de cães ou aves de rapina. Essa dupla condição molda o comportamento em ambientes fechados.

Para Nicholas Dodman, professor emérito de farmacologia comportamental e comportamento animal da Escola de Medicina Veterinária Cummings, da Universidade Tufts, o padrão é evidente: em espaços pequenos, os felinos se sentem muito mais seguros e protegidos do que em áreas amplas e abertas. Uma cama de bordas baixas garante conforto, mas não oferece a mesma sensação de proteção que uma caixa de papelão entrega de graça.

O que os estudos com gatos de abrigo mostraram

A hipótese já foi testada fora da sala de estar. Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Utrecht, na Holanda, acompanharam gatos recém-chegados a um abrigo, parte deles com acesso a uma caixa para se esconder.

No primeiro levantamento, os dez animais com caixa se recuperaram mais rápido do estresse da chegada do que os nove sem o recurso, segundo artigo publicado na revista Applied Animal Behaviour Science.

Um segundo estudo do mesmo grupo, de 2019, ampliou o desenho experimental. Foram 23 gatos entre 1 e 10 anos, divididos entre doze com caixa e onze sem, observados por doze dias em quarentena. Os que tinham onde se esconder atingiram um nível de estresse baixo e estável sete dias antes dos demais, conforme o trabalho publicado na revista científica PLOS ONE.

O mesmo estudo mostrou os limites do recurso: a caixa não evitou a perda de peso registrada em quase todos os animais nas duas primeiras semanas, nem mudou as taxas de adoção ou o tempo de permanência no abrigo.

Instinto de caça também entra na escolha

Além de esconderijo, a caixa funciona como posto de observação. Mikel Delgado, consultora em comportamento felino da Ease Pet Vet e pesquisadora sênior da Universidade Purdue, explica que gatos que vivem soltos procuram vãos e vegetação para não serem vistos por presas nem por predadores.

Dentro de casa, a lógica se repete: as paredes escondem o corpo do animal e a abertura de cima permite o bote sobre um brinquedo ou inseto. A novidade do objeto também pesa, já que um gato de apartamento memoriza cada canto do território e nota de imediato qualquer peça nova.

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