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‘Namoro’ infantil é indício de erotização precoce

Entretanto, a criança ainda não tem desenvolvimento suficiente para entender o namoro como um fato da ordem erótica e sexual.

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Na infância, a criança ainda não tem o discernimento suficiente para entender o que é um namoro.

É comum ouvirmos que a criança está “namorando” com um colega ou um amigo próximo. Para elas, beijos e toques são demonstração de afeto, essenciais para o seu desenvolvimento emocional e cognitivo, sendo uma necessidade básica do recém-nascido. Por isso, ela está acostumada a ser pega no colo, dar as mãos, ser beijada e é incentivada pelos pais a demonstrar carinho. Entretanto, a criança ainda não tem desenvolvimento suficiente para entender o namoro como um fato da ordem erótica e sexual. No “namoro” infantil, não há malícia, é apenas sentimento de amor e amizade. Trata-se então de uma erotização precoce.

No mês de abril deste ano, foi organizada pela Secretaria de Assistência Social do Amazonas a campanha “Criança não namora! Nem de brincadeira”, que caiu nas redes sociais com a hashtag #criancanaonamora e passou a ser pauta de discussão de pais e mães.

Segundo Luiz Coderch, coordenador do Centro de Convivência da Família e do Idoso do Estado do Amazonas, muitos pais e professores não sabem como lidar com o assunto “Esbarramos em um quadro mais complexo quando se fala em comportamento inadequado de crianças. No geral, elas apenas reproduzem o que veem em casa ou o que são incentivadas a fazer ou a dizer. Então, o problema é de toda a sociedade. O que ela vê, ela faz”, disse ele em entrevista ao site da Revista Crescer.

É preciso respeitar o desenvolvimento em cada etapa da vida. Na infância, a criança ainda não tem o discernimento suficiente para entender o que é um namoro. A brincadeira é na verdade um exercício de comportamento, no qual a criança está aprendendo a se relacionar e apenas reproduz comportamentos, sem realmente compreendê-los.

Os pais precisam conversar com seus filhos caso o assunto de namoro surja muito cedo. Precisam fazer a criança entender o que é um namoro, explicando, sem criticá-la, que só as pessoas mais velhas namoram e que criança tem amigos com quem gostas muito de brincar e estar junto. A hora de namorar vai chegar. “Os adultos é que precisam ser reeducados a entender o universo infantil. A criança não discrimina sentimentos de aproximação e amizade. Antecipar essas sensações só causam angústia à criança. É preciso reconduzi-la ao mundo infantil”, crê Vera Zimmermann, psicanalista do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp (SP).

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