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Em outros tempos, quando o cacau florescia no sul do Estado, diziam-se nos dois municípios de maior produção – Itabuna e Ilhéus – que os funcionários públicos só recebiam seus salários quando havia embarque do cacau no porto de Malhado, em Ilhéus, com destino ao exterior. Era o tempo de fartura. A Bahia era tida como a maior produtora mundial. Também, foi a época dos riquíssimos coronéis donos das fazendas e de muitos filhos. Depois da fartura, veio a praga da vassoura-de-bruxa e a região cacaueira entrou em colapso.
A Ceplac se tornou um organismo voltado para o soerguimento regional, mas pouco a pouco perdeu a sua grande importância, embora tenha se mantido até aqui com necessária para os municípios antes produtores. Agora, entra a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e sem consultar a ninguém, presume-se, muito menos ao governador Rui Costa, e transforma a autarquia num simples órgão. Morre a última lembrança dos cacauais.
Talvez ela sequer saiba das histórias contadas por Jorge Amado e Adonias Filho, ambos filhos da região, além de muitos outros escritores. Neste aspecto, a região também é um celeiro de literatos. Amanhã, a presidente Dilma Rousseff chega a Salvador, acompanhada de Jaques Wagner, e deverá ser questionada sobre o assunto. O sul do Estado está alvoroçado e, se já perdera as plantações dos cacauais de antes, embora ainda seja cultivado, a presidente, espera-se, poderá explicar o que está acontecendo. Decididamente, a história não pode acabar com uma mera canetada de Kátia Abreu.





































