Os ônibus que fazem linha em Marechal Rondon voltaram a circular pelo bairro por volta das 9h desta terça-feira (18). Antes, os rodoviários não estavam completando o itinerário por conta de boatos de toque de recolher na região. Segundo os motoristas que trabalham nos coletivos Integra/Plataforma, a passagem até o final de linha foi liberada pelo despachante após constatar que há policiamento reforçado pelo bairro.
“É muito complicado para um pai de família ter que andar até a saída do bairro, mas é uma questão de segurança e não podíamos entrar sem a segurança garantida. Mas agora tudo voltou à normalidade”, disse o motorista Moisés Pereira, 48 anos. Ele circula na linha Marechal Rondon/Barra. “Trabalho aqui em Marechal há sete anos e foi a primeira vez que vi o transporte ser suspenso”, comentou.
De acordo com o secretário municipal de Mobilidade (Semob), Fábio Mota, o consórcio Plataforma foi autuado na segunda-feira (17) pela suspensão do serviço de transporte público no bairro. “Eles foram autuados em R$ 271 para cada quilômetro não rodado, por veículo, e têm 30 dias para recorrer da decisão. Hoje sentamos novamente com os representantes do consórcio para discutir o assunto”, afirmou o secretário.
No início da manhã, os coletivos estavam seguindo somente até a Estrada de Campinas de Pirajá, onde faziam o retorno em frente ao supermercado Todo Dia. O final de linha do bairro fica a cerca de um quilômetro de distância do local que estava sendo usado pelos motoristas.
Os ônibus pararam de entrar no bairro nesta segunda-feira (17) por conta da sensação de insegurança. Segundo o diretor de imprensa do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota, mesmo com o aumento do policiamento motoristas e cobradores estavam se sentindo inseguros no bairro.
Em nota, a PM informou que o policiamento foi intensificado desde segunda feira (17), “inclusive com reforço nas localidades conhecidas como Lígia Maria e Inferninho”. Ainda de acordo com a PM, “a decisão de não entrar no final de linha do bairro foi tomada pela própria empresa (de transporte), sem consultar a companhia responsável pela região”.
Após uma disputa entre facções rivais deixar três mortos na noite do sábado (15), houve especulações sobre um novo confronto entre os traficantes. Alguns comércios fecharam as portas na tarde de ontem, após os boatos se espalharem. Hoje, o comércio voltou a funcionar normalmente, aos poucos, e o clima nas ruas era tranquilo, mas os pontos continuaram vazios. De manhã, a Escola Municipal de Marechal Rondon estava fechada. A Secretaria Municipal de Educação não confirmou o fechamento da unidade.
Consultada, a Secretaria da Educação do Estado (SEC), informou que todas as escolas da rede foram orientadas a funcionar normalmente.
Dificuldades
A população reclamou da falta de atendimento no Centro de Saúde de Marechal Rondon. Segundo os moradores, não havia médicos para atender os pacientes. Uma funcionária que não quis se identificar informou ao CORREIO que somente atendimento de pediatria estava sendo realizado pela manhã, pois os médicos não tinham chegado.
A aposentada Joana Maria de Jesus, 78 anos, mora no bairro de Pirajá e pegou um ônibus para ir ao posto que fica no final de linha. “Sou diabética e marquei essa consulta no dia 18 do mês passado. Quando chegamos em Campinas, o motorista falou que não ia entrar e mandou todo mundo descer. Andei até aqui e, quando cheguei, o médico não estava e pediram para aguardar para ver se ele vai aparecer. Eu vi a notícia de insegurança, fiquei assustada, mas tive que vir porque não podia perder essa consulta”, disse a idosa.
Carmen Silva mora em Cajazeiras e não sabia o que estava acontecendo no bairro. Ela trabalha como recepcionista e saiu de casa cedo para ir até o posto a fim de pegar um cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). “Não ouvi comentários. Estava esperando esse cartão há algumas semanas. Quando cheguei aqui, disseram que a equipe que faz isso não veio trabalhar. Agora vou voltar para casa, pois ainda tenho que ir trabalhar”, reclamou.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), todos os atendimentos marcados para hoje no posto foram reagendados para a próxima sexta-feira (21). De acordo com a assessoria do órgão, a médica responsável pelo atendimento adulto não pôde chegar porque os ônibus não estavam entrando no bairro e, como ela tem dificuldade de locomoção, não poderia saltar distante do posto.Correio





































