
A região outrora rica, hoje mergulhada numa crise e numa pobreza imensa, em todos os sentidos: Foto / O Tempo Jornalismo
O presidente do Assentamento Terra Vista no Município de Arataca, Joelson Ferreira, tem um raciocínio lógico do que representa a cauicutura baiana, acredita no potencial da mata atlântica, no cacau cabruca e na força das pequenas fábricas de chocolates já em produção no Sul baiano.
Segundo o agricultor, Sete consórcios existem no Território da Mata Atlântica, e vivem, em um sistema que há mais de 250 anos, conquistou riquezas, patrimônios e já foi responsável por quase 70% do PIB da Bahia. Tempos bons, maravilhosos, mas agora não podemos ficar mais parados, e contemplando o passado. Como diz o poeta: “o passado é uma roupa velha que já não serve mais”. A região outrora rica, hoje mergulhada numa crise e numa pobreza imensa, em todos os sentidos. Pobreza de sonhos, de esperança e mergulhada no abismo sem tamanho – violência, prostituição, drogas. Como se não bastasse tudo isso, a região está destruindo todo seu patrimônio, até hoje guardada pelo cacau Cabruca. Em seu lugar, está sendo plantado “café canilon” que já destruiu o norte do Espirito Santo e sua Biodiversidade, acompanhada a tempos pela pecuária extensiva que já devastou vários municípios e regiões numa ignorância sem tamanho.
Destroem a biodiversidade, as nascentes, os rios e o solo, antes protegido pela cobertura da Mata Atlântica e da Cabruca que asseguravam toda fauna e flora. De quebra vem o deserto verde com as grandes papeleiras para produzir papel higiênico e outros tipos de papel, tirando toda possibilidade de recuperação do solo, da água e de todas as riquezas naturais que ao longo do tempo vem sendo destruída pela pecuária extensiva e pela monocultura do café conilon. Esses três problemas, ao mesmo tempo, traz um falso desenvolvimento, as custas da destruição do Meio Ambiente e do empobrecimento e urbanização desenfreada de toda a população regional e local, que outrora se relacionava com a Mata Atlântica, com o cacau e outros tipos de produção familiar e camponesa que existia nesse vasto território, sem falar de outra tragédia que é a dizimação e destruição dos povos indígenas e do povo negro remanescentes dos Quilombos.
A esses dois povos, não há outra saída senão lutar para retomar o seu território e recuperar essa monstruosa devastação. Aos pequenos e médios produtores, assentados da Reforma Agrária, os Ribeirinhos a Juventude, os estudantes e todo povo que está nos centros urbanos dessa região só nos resta unirmos numa grande luta em defesa do grande território do cacau e da cabruca. Segundo, em defesa da terra para plantar e para morar. Terceiro, buscar um grande projeto de desenvolvimento embasado na Educação, na Agroecologia, junto com o cacau e chocolate com a exuberância da Mata Atlântica. Junto ao Oceano Atlântico e as lindas praias que embelezam essa região, trabalhar um turismo que incorpore a nossa mata e a natureza. Construir uma rota do cacau e do chocolate e com uma forte indústria de base para agregar valor aos nossos produtos.
Para isso é necessário construir uma grande unidade dos povos dessa região, para recuperar 200 mil ha de cacau Cabruca. Implantar 200 mil há de sistemas agroflorestais, para construir uma economia da mata atlântica para produzir cosméticos, uma variedade grandiosa de remédios, perfumaria e uma infinidade de alimentos para os humanos e para toda as espécies de animais. Minimizar o sistema da pecuária extensiva, construindo no seu lugar uma bacia leiteira com os animais semi confinados e produzir bastante biomassa para alimento animal e energia renovável.
Frear a monocultura do eucalipto, fazendo um grande zoneamento. Parte desse eucalipto plantado transformar em moveis, outra parte para construção civil e outros fins. Impedir novos plantios em outras áreas. Substituir o café canilon por um café com florestas, respeitando as nascentes e os rios. Impedir o uso de pesticidas e agrotóxicos, principalmente próximo a mata ciliar, os rios e nascentes.
Essas propostas vai propiciar uma convivência harmoniosa com a natureza e toda a região, vai construir uma economia capaz de empregar mais de 300 mil pessoas e a educação se encarregará de educar e conscientizar a população, prepará-la para os próximos desafios e consolidar um projeto de sustentabilidade, inclusivo de toda a população e de todos os seres da natureza.





































