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Pelo menos 135 mulheres foram estupradas por dia no ano passado

A lei federal passou a reconhecer em 2015 o crime como hediondo, aumentando a pena por homicídio, que era de 6 a 20 anos de prisão, para 12 a 30 anos em casos em que as motivações para o homicídio

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“Na verdade, trata-se de um crime de ódio contra todas, estimulado pela quase total indiferença do Estado e da própria sociedade”, concluiu ela.

No ano passado foram registrados 49.497 casos de estupro no Brasil. Isso significa que, por dia, havia um total de 135 mulheres sendo sexualmente violentadas em 2016. Os dados foram levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgados na segunda-feira (30). O número, no entanto, deve ser ainda maior pois grande parte das mulheres não notifica as ocorrências.

Em 2016 também foram registrados 4.657 assassinatos de mulheres, sendo 533 deles enquadrados como feminicídio. A lei federal passou a reconhecer em 2015 o crime como hediondo, aumentando a pena por homicídio, que era de 6 a 20 anos de prisão, para 12 a 30 anos em casos em que as motivações para o homicídio são relacionadas à condição de ser mulher. “Ele acontece quando ela viola uma das leis do patriarcado: da fidelidade, que não lhe permite romper com o homem, ou da submissão, que não lhe dá permissão de conduzir a própria vida”, explicou a promotora Silvia Chakian ao site da revista Cláudia. “Na verdade, trata-se de um crime de ódio contra todas, estimulado pela quase total indiferença do Estado e da própria sociedade”, concluiu ela.

Para a delegada Marcela Ortiz, da Delegacia de Homicídios da Capital, no Rio de Janeiro, a situação se trata de uma tragédia anunciada. “O crime acontece, majoritariamente, dentro das casas e entre as famílias e, não raro, a vítima já estava imersa em um contexto de violência doméstica desde a infância, um ciclo repetido nas gerações seguintes”, afirma ela. “Sem políticas de educação de gênero, os padrões tendem a se repetir”, conclui a delegada.

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