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ONU e Colômbia assinam acordo que incentiva cultivo do cacau

De acordo com dados das Nações Unidas, a Colômbia é o maior produtor de coca do mundo.

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Um acordo de paz, os rebeldes comprometem-se a se desarmar e incentivar os agricultores a buscarem culturas alternativas.

As Nações Unidas e a Colômbia assinaram na sexta-feira (3) um importante acordo para erradicar o negócio da cocaína no país sul-americano, no âmbito dos esforços de paz entre o governo e as guerrilhas locais.
O acordo prevê investir 315 milhões de dólares para afastar os agricultores do cultivo de coca, que é utilizada para a produção da cocaína, e direcioná-los para outros tipos de culturas, como o café ou o cacau.

O Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC), com sede em Viena e que lidera a iniciativa, declarou se tratar da “maior tentativa” já realizada para afastar as comunidades rurais do negócio das drogas.
De acordo com dados das Nações Unidas, a Colômbia é o maior produtor de coca do mundo. No ano passado, as áreas cultivadas de coca no país aumentaram 52%, atingindo 146 mil hectares. “Este acordo histórico é uma oportunidade única para mudar o curso do cultivo da coca e ajudar os agricultores a adotar um desenvolvimento alternativo”, explicou o diretor do UNODC, Yury Fedotov, em um comunicado.

Por sua vez, o alto conselheiro para o período do pós-conflito na Colômbia, Rafael Pardo, comemorou um passo “fundamental” para tornar efetivo o acordo de paz assinado em junho entre o governo de Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Durante décadas, as FARC, o maior grupo rebelde do país, financiaram o tráfico de drogas graças ao seu controle sobre as áreas de cultivo.

Num acordo de paz, os rebeldes comprometem-se a se desarmar e incentivar os agricultores a buscarem culturas alternativas. Em troca, a ONU estabeleceu uma nova missão na Colômbia para ajudar milhares de ex-guerrilheiros das FARC a retornar à vida civil.
O Estado colombiano também prometeu incentivos aos agricultores que abandonarem o negócio da coca. Mas, até o momento, os avanços têm sido tímidos e alguns ex-guerrilheiros estão tentados a se juntar a grupos dissidentes, manter suas armas e continuar traficando drogas.

Já os produtores acusam o governo de não cumprir suas promessas, enquanto as equipes dedicadas à erradicação das culturas enfrentam o perigo das inúmeras minas explosivas que protegem os campos de coca. O longo conflito colombiano, que, além das guerrilhas, envolveu paramilitares, narcotraficantes e agentes estatais na Colômbia, causou quase 260 mil mortes, mais de 60 mil desaparecidos e cerca de sete milhões de deslocados.
(Folha-PE)

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