
Em 2017, a diferença salarial era de 21,7%, o que significa uma redução de 1,2 ponto percentual.
A igualdade do gênero ainda é uma realidade distante dos brasileiros. De acordo com o estudo Diferença do Rendimento do Trabalho de Mulheres e Homens nos Grupos Ccupacionais – PNAD Contínua 2018, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (8), mulheres ainda têm um salário menor do que os homens no mercado de trabalho.
Estudo mostra que, mesmo com uma pequena queda na desigualdade salarial entre os anos de 2012 e 2018, mulheres ganham, em média, 20,5% menos que os homens em todo o Brasil. Os dados, referentes ao quarto trimestre de 2018, avaliaram apenas pessoas entre 25 e 49 anos. Em 2017, a diferença salarial era de 21,7%, o que significa uma redução de 1,2 ponto percentual.
A disparidade entre os rendimentos médios mensais de homens (R$ 2.579,00) e mulheres (R$ 2.050,00) ainda é de R$ 529,00. Segundo o levantamento, a menor diferença foi de R$ 471,10 em 2016, quando as mulheres ganhavam 19,2% menos.
O levantamento analisou a distribuição nos grupos de trabalho e as diferenças de salário real entre mulheres e homens no mercado de trabalho entre 25 a 49 anos de idade. O estudo ainda avaliou diferenças por sexo, no mesmo grupo de idade, de acordo com as horas trabalhadas, a cor ou raça, a idade e o nível de instrução das pessoas ocupadas.
Fatores para explicar diferença entre gêneros
De acordo com o estudo, existem dois fatores que explicam a diferença no rendimento médio entre os gêneros. As mulheres recebem R$ 13,00 por hora trabalhada, enquanto os homens recebem R$ 14,20 pelo mesmo período.
Além disso, elas têm menos horas trabalhadas: 37h54min (mulheres) e 42h42min (homens).
Mães chegam a receber até 40% menos do que colegas sem filhos
“Esse estudo mostra que a jornada média dos homens é cerca de 4h48min mais longa que a exercida pelas mulheres. Verificamos isso todos os anos, essa diferença já foi de seis horas. É uma característica do mercado de trabalho, uma vez que isso indica apenas as horas nesse setor”, diz Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Com isso, se não for considerado o tempo dedicado a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, mulheres trabalham, em média, 4,8 horas semanais a menos do que os homens.
Adriana explica, então, que a jornada no mercado de trabalho não reflete o tanto que a mulher trabalha ao longo do dia. “A menor jornada da mulher no mercado de trabalho está associada às horas dedicadas a outras atividades, como os afazeres domésticos e os cuidados com pessoas.”
Remuneração nas profissões
O estudo também mostra a diferença salarial entre os sexos de acordo com as profissões escolhidas. Em alguns casos, mulheres chegam a receber menos da metade do salário, como os engenheiros eletrônicos: salário de R$ 4.000,00 para mulheres e de R$ 12.218,80 para homens no mesmo cargo. No caso dos engenheiros de minas, metalúrgicos e afins, em média, mulheres recebem R$ 5.000,00, enquanto os homens têm um salário médio de R$ 11.922,40 na mesma profissão.
Nível de Instrução
As disparidades nos rendimentos também estão presentes nas ocupações com maior nível de instrução. No ano passado, o rendimento médio mais baixo era o da mulher do grupo sem instrução e fundamental incompleto: R$ 880,00. O mais elevado, por sua vez, era recebido por homens de nível superior completo: R$ 5.928,00.
Ocupações mais comuns
De acordo com o estudo, a participação das mulheres era maior entre os trabalhadores domésticos (95%), seguido por professores de ensino médio (84%) e de trabalhador de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%).
Diferença aumenta no grupo entre 40 e 49 anos
O levantamento aponta que, quando separados por faixa etária, a desigualdade salarial é maior entre 40 e 49 anos. Em 2018, mulheres nesse grupo de idade receberam, em média, 25,1% a menos do que os homens na mesma faixa etária. A diferença menor, no entanto, foi no grupo entre 20 e 29 anos: 13,1%. A diferença entre a faixa etária de 30 a 39 anos foi de 18,4%.
Diferença entre mulheres brancas, pretas ou pardas
O IBGE mostrou ainda que as mulheres – brancas, pretas ou pardas – têm rendimento médio menor que o dos homens da mesma cor. No entanto, a diferença entre mulheres brancas e homens brancos era maior do que entre mulheres pretas ou pardas e homens da mesma cor.
Em 2018, o rendimento médio da mulher branca ocupada em relação ao homem branco ocupado era de 23,8% a menos. A proporção entre mulher e homem de cor preta ou parda, por sua vez, era de 19,9% a menos. Tal comportamento se reproduziu em todos os anos, desde 2012.





































