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Escolas não podem ignorar tecnologia, dizem especialistas

Muitas escolas brasileiras já evoluíram e aprimoraram a maneira de ensinar para se adaptarem aos novos tempos, atendendo à demanda da sociedade e da nova geração de alunos e professores

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Nas atividades, a criançada usa tablets e computadores o tempo inteiro.

Escolas francesas de Ensino Fundamental e Médio devem se tornar zonas livres de uso de smartphones, de acordo com o ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer. A partir do início do ano letivo de 2018 no país, em setembro, o uso dos aparelhos ficará proibido não só em sala de aula, onde já é banido desde 2010, mas também nos intervalos, durante o recreio e hora do almoço.

O uso de celular na escola ainda gera polêmica, mas de acordo com a diretora pedagógica do Sistema Positivo de Ensino – presente em 1.830 escolas de 955 municípios brasileiros, Adriana Vicente Sandi, já não se deve mais perder tempo discutindo se crianças e jovens devem ou não usar celulares, tablets, softwares, games ou apps nos processos de aprendizagem.

“A questão principal é observar quais são as estratégias de ensino das escolas para que todos esses recursos sejam inseridos e potencializados com o objetivo de se adquirir conteúdo e conhecimento”, afirma.

Em sua nona edição, o Fórum Agenda Bahia – que em 2018 traz o tema geral Para o Futuro, Humanize-se – aborda a interação das inteligências humana e artificial, de que forma a tecnologia pode ser usada para desenvolver a criatividade das pessoas e como a inovação tecnológica repercute na qualidade de vida nas cidades.

Este ano, o fórum já realizou seu primeiro seminário, Sustentabilidade do Agora, no dia 8 de agosto, e realizará o segundo simpósio, Humanize-se, em novembro.

Em 2018, o fórum também promove o Desafio de Inovação Acelere[se], iniciativa do Correio e da Rede+ que oferece um programa de capacitação e mentorias especializadas para 8 startups baianas como forma de incrementar o ecossistema de inovação do Estado.

Bom uso

Segundo Adriana Vicente Sandi, é importante avaliar de que forma a tecnologia está de fato integrada à proposta pedagógica e a qualidade que a instituição de ensino busca para garantir o aprendizado e os benefícios efetivos. “É inegável que essa introdução ao mundo digital deve ser feita com bom senso, moderação e acompanhamento”, completa.

Muitas escolas brasileiras já evoluíram e aprimoraram a maneira de ensinar para se adaptarem aos novos tempos, atendendo à demanda da sociedade e da nova geração de alunos e professores.

Em Salvador, as Escolabs – Escolas Laboratório gerenciadas pela Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Salvador (Smed/PMS) estimulam o uso das tecnologias no ensino/aprendizado. São três unidades, uma na Boca do Rio e outras duas em Coutos, no subúrbio ferroviário da capital.

Implantadas desde 2016, a partir de uma parceria da Prefeitura com a empresa Google, o projeto permite aos alunos praticarem atividades artísticas e tecnológicas que estimulam a criatividade. Com capacidade para atender 1,5 mil estudantes, as unidades oferecem aulas de introdução à programação, modelagem, produção de aplicativos, criação de games e introdução à robótica.

Nas atividades, a criançada usa tablets e computadores o tempo inteiro. Inclusive, o trabalho dos professores é apoiado por conteúdos produzidos especificamente para essas ferramentas.

Nova relação com o conhecimento

Para o diretor-geral do Colégio Positivo, Celso Hartmann, ferramentas como celular, tablet e games não devem ser ignoradas. “Elas permitem aos estudantes compartilharem, comentarem, questionarem, criarem e não mais decorarem, fazendo com que estabeleçam uma nova relação com o conhecimento”, justifica.

Hartmann acredita que a escola que não oferece aos seus alunos a chance de aprender segundo essa nova realidade, terá cada vez mais dificuldade de engajar e motivar o estudante.

“Quando analisamos, com uma visão mais ampliada, o que a sociedade e o mercado esperam dos futuros profissionais, vemos que estamos apenas no começo de uma revolução que vai transformar a maneira como nossos filhos e netos vão aprender daqui para a frente. Temos a responsabilidade de ajudar nossas crianças e jovens a se prepararem para esse futuro”, completa.

A própria Unesco Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), no documento “Diretrizes de Políticas para a aprendizagem móvel”, recomenda a incorporação dos smartphones à rotina escolar: “A Unesco acredita que as tecnologias móveis podem ampliar e enriquecer oportunidades educacionais para estudantes em diversos ambientes”, diz a publicação.

Na avaliação do educador, a adaptação dos aparelhos para a escola exige criatividade e preparação e, de certa forma, repete o movimento de outros materiais considerados “inapropriados” para o ambiente escolar em outras épocas, como as revistas. “Os professores entendiam que elas atrapalhavam o andamento da aula até o momento em que foram aplicadas no contexto, como material relacionado”, lembra.

Ainda segundo Hartmann, tanto smartphones quanto tablets podem ser adaptados para a discussão de assuntos contemporâneos – caso da escassez de água, por exemplo, que conta com aplicativos específicos sobre o tema -, ou até mesmo o uso do WhatsApp para promover discussões entre duas salas. “Porém, para surtir efeito, é preciso estabelecer um ‘contrato’ com os alunos, definindo as regras de uso”, adverte.

O Fórum Agenda Bahia 2018 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Revita e Oi, e apoio institucional da Prefeitura de Salvador, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Fundação Rockefeller e Rede Bahia.(Correio)

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