
Frederico Borges é advogado e autor deste artigo
Por Frederico Borges – Não sei como começar…
Distante de ser um instrumento capaz de avaliar a capacidade do jovem para ingresso no curso superior, o ENEM, pelo menos, serve para avaliar a qualidade do Ensino Médio no Brasil. Verifica-se, a cada ano, acentuada degradação da qualidade do ensino. E não podia ser diferente, levando-se em consideração o desapreço com que se cuida da educação por aqui. Professores mal remunerados, à busca de motivação, são lançados à sala de aula com o objetivo precípuo de não reprovar o aluno – as estatísticas são mais importantes do que a educação. Questão de meta a cumprir.
A meta foi alcançada: 529.278 jovens, precisamente, lograram zero em redação nos últimos exames do ENEM.
São jovens que não sabem descrever o sol nascente, nem os rios que correm “pela aldeia de cada um”, nem as nuvens que passeiam no céu. Não aprenderam a dizer o que o que sentem, nem a reclamar da corrupção que crassa as entranhas do país; não aprenderam expor o sonho que nutrem mesmo diante amanhã incerto.
O sonho imediato é o ingresso à Universidade, à espera de que ali o horizonte se descortine, e o saber se abra e se alargue; e se conquiste o status civitatis pleno – votar, ser votado, exercer funções de estado, profissão decente, lavrador, mecânico, médico, qualquer que seja, mas decente, capaz de construir e edificar uma sociedade justa e solidária, equilibrada, fundada nos valores sociais do trabalho, que não fique refém da caridade pública da cesta-básica, do vale-gás, da bolsa-família. Na verdade esses jovens querem pouco – apenas a oportunidade de construir o próprio futuro e participar do grande mutirão que se quer pelo Brasil, esse país que se vislumbra grande e altaneiro, sem corrupção e sem mal-feitos. Mas essa avalanche de zeros mexeu com o brio de todos nós. Vergonha nacional? Não, não devemos pensar assim. Mas numa oportunidade de se pensar e refletir; de cuidar da educação como coisa séria, a única capaz de transformar este País. Pensar numa escola integral, que não apenas instrua, mas que eduque o jovem, que o impregne de civismo, que preze e cuide do ambiente em que vivemos, que forme cidadãos, que recrie a mística do orgulho nacional, para que se volte a dizer, com vigor, “porque me ufano deste país!”. Frederico Borges é advogado e trabalha ladeado da sua esposa a também advogada Tânia Nery e mantem escritório em Camacã.www.otempojornalismo.com.br





































