
O tema ganhou centralidade na corrida presidencial porque a segurança pública é hoje a principal preocupação de 27% dos brasileiros, segundo pesquisa Nexus/BTG divulgada no mês passado.
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas evidenciou uma nova disputa de narrativas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Especialistas ouvidos pela CNN apontam que o assunto pode estar no centro das estratégias de ambos para atrair o eleitorado ainda indeciso à disputa presidencial.
“O impacto eleitoral da decisão dos Estados Unidos eu acho que é realocar o entorno central de um debate para a segurança pública”, afirma Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional e docente da Washington & Lincoln University. “A oposição vai argumentar que o debate foi internacionalizado e que o combate às facções será um objeto central da política deles.”O governo Lula é contrário à decisão americana e pretende reforçar o discurso de defesa da soberania nacional. Nos bastidores, aliados avaliam que a campanha deve explorar a narrativa de que Flávio Bolsonaro busca entregar o Brasil aos interesses dos Estados Unidos.
Já o entorno do senador aposta na segurança pública como eixo central da campanha. A avaliação é de que Flávio pode explorar sua aproximação com o governo de Donald Trump e sustentar que conseguiu avançar mais no combate às facções criminosas em poucos dias do que o governo petista fez em anos.
“Talvez o Flávio Bolsonaro saia ganhando”, afirma. “A mensagem que ele quer passar é: fui buscar ajuda do governo dos Estados Unidos porque o governo brasileiro não está fazendo.”
O tema ganhou centralidade na corrida presidencial porque a segurança pública é hoje a principal preocupação de 27% dos brasileiros, segundo pesquisa Nexus/BTG divulgada no mês passado. Ao mesmo tempo, as duas narrativas encontram respaldo em sentimentos já presentes no eleitorado. Em novembro, levantamento da Genial/Quaest apontou que 73% dos brasileiros defendiam que organizações criminosas fossem classificadas como grupos terroristas. Já uma pesquisa realizada no início deste ano, após a invasão dos Estados Unidos na Venezuela, mostrou que 58% temiam uma eventual operação militar americana em território brasileiro. (CNN)


































