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STF decidirá extensão da licença maternidade à mãe não gestante em união homoafetiva

O caso analisado trata de um pedido em que uma das mulheres engravidou através de inseminação ratificação.

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A companheira da servidora é trabalhadora autônoma e não usufruiu do direito à licença. 

A possibilidade de concessão de licença-maternidade à mãe não gestante em união estável homoafetiva será definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O caso analisado trata de um pedido em que uma das mulheres engravidou através de inseminação ratificação. O tema será analisado em um recurso extraordinário, que teve repercussão geral reconhecida no Plenário Virtual por maioria de votos.

O recurso é movido pelo Município de São Bernardo do Campo (SP) contra decisão de Turma Recursal do Juizado Especial da Fazenda Pública de São Bernardo do Campo que garantiu a licença-maternidade de 180 dias a uma servidora municipal cuja companheira engravidou por meio de inseminação artificial heteróloga (em que o óvulo fecundado é da mãe não gestante). A companheira da servidora é trabalhadora autônoma e não usufruiu do direito à licença.

Segundo a Turma Recursal, o direito à licença-maternidade é assegurado no artigo 7º, inciso XVIII da Constituição Federal e na legislação infraconstitucional, e esses dispositivos devem ser interpretados conforme os atuais entendimentos jurisprudenciais acerca da união homoafetiva e da multiparentalidade. Entendeu também que o benefício é uma proteção à maternidade e possibilita o cuidado e o apoio ao filho no estágio inicial da vida, independentemente da origem da filiação.

O município alega que a interpretação extensiva atribuída ao direito à licença-maternidade contraria o princípio da legalidade administrativa (artigo 37, caput, da Constituição Federal), pois não há qualquer autorização legal para a concessão da licença na hipótese. Argumenta ainda que o direito ao afastamento remunerado do trabalho é exclusivo da mãe gestante, que necessita de um período de recuperação após as alterações físicas decorrentes da gestação e do parto.

Para o ministro Luiz Fux, relator do recurso, a questão apresenta repercussão geral do ponto de vista social pelo impacto gerado pela sua extensão a qualquer servidora pública ou trabalhadora que vivencie a situação jurídica em exame. O ministro observa que a discussão envolve a proteção especial à maternidade e trata da concessão de benefício de natureza previdenciária, com custos para a coletividade. A manifestação do relator de considerar constitucional a questão e reconhecer a existência de repercussão geral foi seguida por maioria, vencido o ministro Edson Fachin.

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