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Camacan: Um Novo Normal

Atualmente, prevalece a triste certeza da inexorável e definitiva incerteza, capaz de conduzir a sociedade universal à necessidade de criar uma FRENTE PELA VIDA, a todo e qualquer custo.

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Dra- Tânia Nery

É sabido que a humanidade enfrenta a maior crise sanitária da história.

De repente, sem maiores alardes, sem comunicação ou troca de opiniões, sem qualquer prévio questionamento, o mundo precisou de se adaptar e sobreviver aos percalços do ano de 2020.

De ponta-cabeça, o Planeta Terra, o Earth, pela primeira vez parece fora dos eixos, descarrilado, a esmo…

A verdade é que vivemos um momento singular, histórico, único. Uma tragédia no contexto da existência humana, uma lição que está aí para nos orientar o caminho.

Sabemos ser bem mais fácil escrever sobre uma Pandemia do que vivenciá-la. Entretanto, é necessário discorrer sobre os acontecimentos, até porque o registro é o que nos norteará num futuro próximo, em termos de aquisição de expertise sobre a tragédia sanitária que ora nos assalta.

Os surtos epidêmicos sempre estiveram presentes entre nós. Desde o Brasil Colônia, com o surto da varíola. Com o desenvolvimento urbano e com a interiorização das cidades surgiram catástrofes epidêmicas como a cólera, a febre amarela, a poliomielite, a gripe espanhola (1918), o surto silencioso e avassalador da Meningite (anos 70) e a recente onda da influenza em suas múltiplas e variantes cepas.

Durante algum tempo, ainda no início do surto da Pandemia do Covid 19, subsistiu a Teoria da Seleção Natural na qual os seus ferrenhos adeptos incutiam a ideia da espontânea seleção da espécie, onde os velhos e os débeis deveriam deixar o espaço vital em favor dos jovens e sadios – afinal, a Terra já não aguenta mais de gente. Os Negacionistas disseminaram o entendimento de que o covid não passava de uma “gripezinha”, sem necessidade da adoção de qualquer protocolo sanitário de natureza preventiva. Tais conceitos esmaecem diante do assustador quadro de perda de vidas humanas contabilizadas a cada dia. Em todo o mundo. A situação se agrava em países dos blocos latinos e africanos, em razão do subdesenvolvimento dos povos, da ausência de ferramentas eficazes ao enfrentamento das causas e das consequências da Pandemia; e da carência de uma firme e coordenada ação estatal no sentido de exigir da população o cumprimento de normas de controle sanitário que previnam o avanço da doença e interrompa a escalada do aparecimento de novas variantes.

Há uma ameaça idônea e efetiva, nada desprezível, nunca sentida antes a pesar sobre a vida humana.

Atualmente, prevalece a triste certeza da inexorável e definitiva incerteza, capaz de conduzir a sociedade universal à necessidade de criar uma FRENTE PELA VIDA, a todo e qualquer custo.

Sobreviver à Pandemia não é uma questão adstrita àqueles que detém melhores recursos financeiros ou força física – jovens atletas, ricos empresários, hibernantes da cápsula de proteção – todos estão sujeitos à mesma ameaça e à mesma extinção – ricos e pobres de todas as camadas sociais, credos e etnias,

O que fazer?

Ainda não sabemos. Por enquanto, entendemos que o Estado deva imprimir no cidadão a sua marca de compromisso e responsabilidade no enfrentamento do mal e na defesa da vida. O cidadão, em contrapartida, deve fazer a sua parte, respeitando a si mesmo e ao próximo, adotando os protocolos sanitários e de distanciamento social e, sobretudo, firmando uma parceria Poder Público/Sociedade, na adoção de um pacto que resulte na conscientização da juventude – o maior vetor de disseminação e da velocidade de transmissão do Covid 19 – no sentido de que permaneça em seus nichos familiares, seus habitats de isolamento social, no intuito de conter, segurar, frear e controlar o avanço do Coronavírus. A Juventude, saudável por excelência, não pode se transformar em vetor de propagação da doença pondo em risco toda a coletividade.

A título de modesta sugestão, entendemos ser necessária a criação URGENTE de um cinturão sanitário em torno de nossa juventude – um cinturão pela vida – evitando aglomerações, festividades, frequência a ambientes de praia, comemorações, bares e restaurantes, por exemplo. Precisamos entender que a doença se “especializa” também: as cepas novas já atingem as camadas mais novas da sociedade. Os jovens também estão ameaçados.

Necessário que se observe o que acontece com Espanha, Reino Unido e Estocolmo e Nova Zelândia, que se constituem em exemplo de disciplina, compromisso social e respeito à vida.

Cabe a cada um de nós, ao Poder Público e à Coletividade, disseminar alertas que evitem o avanço do Coronavírus e, ao mesmo tempo, tragam um novel ressignificação da expressão VIDA – EARTH – LIFE.

Afinal,

“Cada día es uma pequena vida.” (Horácio)

“El que no valora la vida no la merece” (Da Vinci)

“La vida del hombre es su concepción de la vida” (Feuerbach).

Por hoje, é só.

Tânia Nery – Advogada

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