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Mãe passa mal ao ver ex acusado de matar filha em julgamento

Sessão especial ocorre dois anos após o crime. Vítima foi morta a tiros, na varanda da casa do suspeito, no bairro de Itapuã

Ao ficar de frente com o acusado de matar de matar a filha, Andreza Victória Paixão, 15 anos, em abril de 2017, a mãe dela, Lívia Tito passou mal e foi retirada do salão do júri do Fórum Ruy Barbosa. Ela saiu em uma cadeira de rodas pouco depois do ex-namorado da filha, Adriel Montenegro dos Santos, hoje com 23 anos, sentar no banco dos réus.

A sessão especial tinha acabado de ser iniciada, por volta das 9h, quando Lívia começou a chorar compulsivamente ao ficar cara a cara com Adriel – a mãe estava em uma das primeiras cadeiras do salão. Ela foi chamada pelo juiz como testemunha, momento em que passou mal e foi acudida pelos policiais que lá estavam.CapturarKKKJUHYGTFR 300x201 - Mãe passa mal ao ver ex acusado de matar filha em julgamento - o tempo jornalismo

Lívia foi para uma sala nos fundo do salão e depois levada numa cadeira de rodas para o serviço médico do Fórum. Um primo de Andreza também passou mal e precisou ser acudido por parentes.

O julgamento foi retomado 40 minutos depois, dando continuidade aos depoimentos de testemunhas de acusação. Nesse momento, o pai de Andreza é interrogado pelos advogados do acusado.

Segundo algumas colegas de escola da garota – estudantes do Colégio Rotary, no Abaeté – Victória havia ido à aula nesta segunda e Adriel foi de carro buscá-la na saída, por volta de 17h30. “Ele vivia chamando ela para conversar e ela dizia que não queria mais. Eu nunca vou entender o que levou ela a encontrar ele”, contou uma amiga.

No mesmo dia, a adolescente foi socorrida pelo pai de Adriel, que é policial militar, para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro de Itapuã e, em seguida, transferida ao Hospital Geral do Estado (HGE). Apesar do socorro, ela não resistiu. Logo após o crime, Adriel desapareceu do bairro. A jovem foi  enterrada do dia 18 de abril, no Cemitério da Paz.

Adriel está preso desde setembro de 2017, quando se apresentou à polícia, após passar cinco meses foragido. Em outubro do mesmo ano, o jovem, que chegou a ser incluído no Baralho do Crime da SSP, teve a prisão preventiva, sem prazo para expirar, decretada.

O rapaz foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de homicídio, com motivo torpe, sem possibilitar a defesa da vítima e prática de feminicídio, além de porte ilegal de arma.

Para ela, o caso da adolescente é mais um exemplo disso e o fato de a jovem ter aceitado um encontro com o ex-namorado, com o qual não desejava mais namorar, não justifica seu assassinato. “Ela foi ver o ex porque ele estava sofrendo com o fim do relacionamento. A intenção dela era aliviar a dor dele, não voltar para ele”, afirmou.

Ainda segundo a especialista, a jovem “morreu porque não queria reatar. É uma espécie de loucura que acomete o homem ciumento”, disse. E, segundo a especialista, esse crime, em geral, costuma acontecer de forma premeditada, pegando a vítima numa emboscada.

Luiza argumentou que resta à sociedade entender que tanto homens e mulheres têm direitos iguais – inclusive sexuais – e que a vontade da mulher precisa ser respeitada. “A mulher namora quem ela quer, casa com quem ela quer e se separa também no momento em que o relacionamento não lhe interessa mais. E nem por isso ela pode ficar sujeita ao assassinato”, insiste. “Precisamos mudar a nossa cultura para que não aconteça mais crimes absurdos como espancamento, morte, estupro”, finalizou. (Correio)

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