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Júri de Ronaldo será retomado: radialista foi morto há 21 anos

Por envolver figuras da política, o júri já foi suspenso mais de cinco vezes, a última data foi dezembro de 2016.

Ronaldo foi morto por denunciar os desmandos administrativos, praticados pelos gestores da época.

O juiz da 1ª Vara Crime da Comarca de Eunápolis, Otaviano Andrade Sobrinho, marcou uma nova data para o júri popular dos acusados pela morte do radialista Ronaldo Santana de Araújo: 14 de maio próximo, com início previsto para as 8h30, no Fórum Desembargador Mário Albiani, Dinah Borges. Após 21 anos, ou seja, duas décadas depois, os acusados pelo plano que resultou no assassinato do radialista podem ser condenados à prisão, em um julgamento previsto para durar cerca de três dias, conforme publicação no Diário Oficial do Tribunal de Justiça da Bahia de terça-feira (10). São apontados como autores intelectuais, o ex-prefeito de Eunápolis, Paulo Ernesto Ribeiro da Silva, o Paulo Dapé, Valdemir Batista de Oliveira, o vereador Dudu, o advogado Antônio Oliveira Santos (Toninho da Caixa, porque na época ocupava o cargo de gerente da CEF), e a sacerdotisa Maria José Ferreira Souza, conhecida como Maria Sindoiá. Na ocasião do crime, todos esses eram funcionários comissionados da Prefeitura de Eunápolis.

O assassinato de Ronaldo Santana, no dia 9 de outubro de 1997, comoveu a cidade e ganhou repercussão nacional, especialmente porque o Brasil aparece entre os países que mais registram mortes de profissionais de imprensa em todo o mundo. Por envolver figuras da política, o júri já foi suspenso mais de cinco vezes, a última data foi dezembro de 2016, como consequência de uma liminar do desembargador Pedro Augusto da Costa, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Na época, o magistrado acatou o argumento de que houve erro processual no prazo do sorteio dos jurados, realizado antes da marcação da data do júri, o que fere determinação do Código Processual Penal. O radialista Ronaldo Santana apresentava o polêmico programa Ronda da Cidade, na Rádio Jornal de Eunápolis.

Ele foi assassinado com quatro tiros, em outubro de 1997, quando descia a Avenida Duque de Caxias, próximo a Feira do Bueiro, em companhia do filho, Márcio Alan. Ele estava se dirigindo ao seu local de trabalho. O crime teve como executor o ex-policial militar Paulo Sérgio Mendes Lima, que já foi julgado, condenado e cumpriu pena. O ex-prefeito Paulo Dapé e os demais acusados foram apontados por Paulo Sérgio e são denunciados pela promotoria pública como mentores intelectuais do assassinato do radialista, que era um crítico ferrenho do governo municipal. O advogado Fabrício Frieber, que representa o réu Antônio Oliveira Santos, declarou que está há três anos tentando acelerar a data do julgamento.

Frieber salientou que tentou o desmembramento da ação em outubro de 2013, para que seu cliente fosse julgado em separado, mas uma liminar suspendeu o julgamento e o desmembramento da acusação. “Não há provas contra o meu cliente nos autos do processo. Queremos que o julgamento ocorra logo, pois a carga emocional que envolve toda a família de Antônio, a cada novo adiamento, é muito grande”, argumenta Frieber.

Já o advogado Antônio Pitanga, que assumiu a defesa do vereador Valdemir Batista de Oliveira (Dudu), afirmou que será feita uma reanálise de todo o processo para se posicionar sobre as acusações. “Já houve dois habeas corpus anteriores. Se ocorrer o júri, estamos prontos para provar a inocência do meu cliente”, alegou Pitanga. A acusada Maria José Ferreira Souza, a Maria Sindoiá, declarou que não tem nenhuma declaração a fazer sobre o caso. “A única coisa que sei é que não tenho nada com isso. O resto está nas mãos de Deus”, destacou Maria. A redação tentou contato com a defesa do ex-prefeito Paulo Dapé, mas não obteve retorno. (Radar64)

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